Quarteto em Mim

Projectos

Coisas do Tango

O seu primeiro trabalho, intitulado “Coisas do Tango”, pretende transportar o público para a sensualidade apaixonante do tango, através da música de Astor Piazzola, da dança e também das palavras, luzes e cores que constroem os passos do tango e envolvem o público na sua poesia traçada pelos sentidos.

O espectáculo “Coisas do Tango” conta com a participação, como convidados, dos bailarinos Pedro Candeias e Ana Candeias e do acordeonista Ricardo Alves.

O Tango

O tango nasceu no século XIX, com expressão na música instrumental, na dança e na arte interpretativa. Recebeu as influências próprias do contexto social e cultural de Buenos Aires de 1880, uma cidade com uma multiplicidade cultural muito grande, devida às populações imigrantes, que muito influenciaram a história e a evolução do tango.

Na formação musical de tango, encontram-se influências múltiplas como o pampeana de milonga e as ostentações Crioulas de Buenos Aires que lhe concede uma componente rural; o montevideana de milonga e os ritmos pretos; o havanês e o tanguillo espanhol e a música trazidas ao Rio Plata pelos imigrantes.

O primeiro tango conhecido como tal, é o “La Dame la lata”, de 1886, interpretado em trios de violino, flauta e violão.

No inicio do Século XX, é incorporado o bandoneón, instrumento inventado na Alemanha em 1835 por Heinrich Band, que trouxe ao tango a expressão mais característica da verdadeira essência e ritmo do tango que lhe deu maior sonoridade, melodia e lentidão.

O violino e o piano trouxeram ao tango uma eloquência musical mais larga e variada, como instrumentos fundamentais na manutenção do ritmo tanguero que definitivamente melhorou a estrutura e a qualidade dos grupos.

Carlos Gardel foi o inventor do tango-canção e o seu grande divulgador fora da Argentina. Nos anos 60, o tango ressurgiu renovado por Astor Piazzolla, que lhe deu uma nova perspectiva, rompendo com os esquemas do tango clássico, modificando o tango tradicional e até o próprio género musical.

Hoje em dia, o tango vive como elemento identificador e diferenciador da alma portenha, com constantes evocações dispersas por todo o mundo.

Astor Piazzolla

Astor Piazzola dizia que “o tango já não existe”. Provavelmente por isso, reinventou-o incorporando elementos do jazz e da música erudita.

O compositor e bandoneonista nasceu em 1921 em Mar Del Plata, e passou a infância entre Buenos Aires e Nova York. Começou a estudar música aos 9 anos nos Estados Unidos, dando continuidade na capital argentina e na Europa.

Nos anos 60 formou o quinteto Buenos Aires, com o qual gravou seus principais sucessos, como “Adios Nonino”, “Balé de Tango”, “Balada para un louco”, “Libertango”, entre outros.

Foi com o quinteto e através do timbre ímpar do bandoneon, que passou a ser reconhecido como maior compositor contemporâneo de tangos e um dos maiores nomes da música instrumental mundial, entre a nostalgia tanguera de boémio e o charme europeu clássico.

Piazzolla morreu em 1990, em Buenos Aires. Porém, o seu génio permanece e os seus trabalhos são reeditados através de novas formas e magnitudes, colhendo sucessos e aplausos em todo o mundo.